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Setor Automotivo

O setor automotivo tem importante participação na estrutura industrial mundial. No Brasil, representa cerca de 22% do PIB industrial. Devido aos seus encadeamentos, é um setor cujo desempenho pode afetar significativamente a produção de vários outros setores industriais.

Fora da cadeia automotiva propriamente dita, destacam-se os setores de aços e derivados, máquinas e equipamentos, materiais eletrônicos, produtos de metal e artigos de borracha e plástico. O setor de aço e derivados representa um dos insumos mais importantes para todos os subsetores da cadeia automotiva, especialmente para autopeças. Desta forma, observa-se que o setor tem importante impacto sobre o nível de atividade da indústria de transformação, sendo que o crescimento da produção automotiva pode, por meio da sua cadeia de fornecimento, impulsionar o crescimento de vários outros setores da indústria.

As montadoras são de grande porte em decorrência do padrão tecnológico do setor e do tamanho do mercado, que possui custos fixos altos para Pesquisa e Desenvolvimento - P&D em novos produtos, propaganda, setup (moldes, ajustamento de maquinário e outros), investimentos em máquinas, equipamentos e montagem da infraestrutura produtiva. Desse modo, as fábricas se caracterizam por estarem voltadas para o alcance de economias de escala, por meio da especialização por plataforma de automóvel e de economias de escopo, pela flexibilidade permitida pela organização na forma modular, por meio de consórcio modular ou condomínio industrial.

Na maior parte dos casos, as empresas desse setor são transnacionais, as quais  operam em escala global ou no atendimento de regiões geográficas específicas, por meio de multiplantas, que produzem nos diferentes locais, geralmente, os mesmos tipos e modelos de veículos. Observa-se, assim, uma divisão do trabalho dentro da cadeia de valor do produto.

Os centros de decisão e de P&D localizam-se nos países sede e a fabricação é distribuída internacionalmente, de maneira a atender ao mercado final e às necessidades de outras filiais da empresa, via comércio intrafirma, no qual não é viável a instalação de uma planta produtiva específica.

Sob essa lógica de modelo ‘global’ de competição, as montadoras estão cada vez mais integradas com suas subsidiárias em rede e com uma maior convergência entre as estratégias das unidades centrais com as de suas filiais. Assim, as subsidiárias passaram a homogeneizar a oferta de produtos – plataformas globais, bem como o padrão de fabricação e de organização do espaço produtivo, com algumas adaptações às particularidades do ambiente local de concorrência (tropicalização, no caso do Brasil).

Quanto à estratégia de investimento da indústria automobilística em novas unidades produtivas, no período que teve início na década de 1990, o fluxo de investimentos diretos externos para países e regiões em desenvolvimento objetivou deslocar a produção mundial e elevar a participação no mercado de países em desenvolvimento, com maior potencial de crescimento do consumo de automóveis, resultado da saturação do mercado nas nações desenvolvidas e do movimento de criação de blocos econômicos regionais, com livre comércio entre seus membros e incidência de barreiras comerciais às mercadorias de países externos ao grupo.

Com isso, as nações emergentes tornaram-se plataformas regionais de produção e distribuição. A localização em países emergentes que possuem melhor infraestrutura industrial, de transporte, de comunicações e maior capacitação tecnológica possibilitou que a produção atendesse não apenas ao mercado doméstico, mas também a outros países da região.

Por essa razão,  observou-se um importante aumento dos investimentos externos nos BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em especial, destaca-se a relevância da China e da Índia, que possuem um importante mercado interno. Ao longo dos últimos anos, suas montadoras nacionais vêm realizando um processo de catching-up tecnológico, viabilizando, assim, a internacionalização desses produtores, com a oferta de veículos a um custo relativamente menor.

 

SETOR AUTOMOTIVO NO BRASIL

A produção mundial de veículos em 2016 foi de 72,1 milhões de unidades, dos quais 1,77 milhões foram produzidos no Brasil, o que o classifica como 10º maior produtor mundial de veículos, atrás da China, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Índia, Coréia do Sul, México, Espanha e Canadá. No que tange ao tamanho do mercado, em igual ano o Brasil comercializou 2,05 milhões de veículos, atrás da China (28 milhões), Estados Unidos (17,8 milhões), Japão (4,9 milhões), Alemanha (3,7 milhões), Índia (3,6 milhões), Reino Unido (3,1 milhões) e França (2,4 milhões), apresentando-se como o 8° maior mercado.

A indústria automobilística brasileira, em grandes números, pode ser assim resumida:

  • 31 fabricantes (veículos e máquinas agrícolas e rodoviárias); 590 fabricantes de autopeças; e 5592 concessionárias (2017).
  • 67 unidades industriais em 11 estados e 54 municípios.
  • Capacidade produtiva instalada de 5,05 milhões de unidades de veículos, e de 109 mil unidades de máquinas agrícolas e rodoviárias.
  • Faturamento (incluindo autopeças), em 2015, de U$ 59,1 bilhões.
  • Investimentos, no período 1994-2012, de U$ 68,0 bilhões.
  • Produção acumulada de veículos montados, no período 1957-2016, de 75,8 milhões de unidades de veículos, e 2,6 milhões de máquinas agrícolas e rodoviárias, no período 1960-2016.
  • Exportações de U$ 17,9 bilhões e importações de U$ 17,8 bilhões em 2016 (incluindo autopeças).
  • Empregos diretos e indiretos totalizando 1,3 milhão de pessoas.
  • Participação de 22,0% no PIB Industrial e de 4,0% no PIB Total (2015)
  • Geração de U$ 39,7 bilhões de tributos, em 2015, entre IPI, ICMS, PIS, COFINS e IPVA.
  • Ranking mundial em 2016: 10º maior produtor e 8º mercado interno.

 

AUTOPEÇAS

No setor de autopeças, o segmento representado pelos fabricantes de autopeças de grande porte (sistemistas, nível 1) é dominado por empresas de capital estrangeiro. No caso dos fabricantes de menor porte (níveis 2 e 3), que fabricam forjados, fundidos, estampados, trefilados, plásticos, artefatos de borracha, produtos não metálicos, a maioria das empresas são de capital nacional, apesar do crescimento significativo das importações.

A rentabilidade das pequenas e médias empresas de autopeças (níveis 2 e 3) é comprometida pela pressão exercida por clientes (sistemistas do nível 1 e montadoras) e fornecedores (siderúrgicas, por exemplo) que têm maior poder de barganha nas negociações comerciais. Na ponta final da cadeia, o alto grau de competição entre as montadoras e a concorrência internacional, que provoca queda nos preços das autopeças, dificulta o repasse de custos por parte das empresas de autopeças. O que, aliado à baixa capacidade de investimento, devido aos custos elevados de materiais e serviços, aumenta a fragilidade desse segmento de empresas.

Desse modo, os fabricantes de autopeças dos níveis 2 e 3, na condição de fornecedores dos sistemistas globais, apresentam baixa capacidade de competir e de investir em pessoas, tecnologia e inovação, apesar de constituírem a base do fornecimento da cadeia produtiva de autopeças e serem fundamentais para o desempenho do setor, por tornarem viável a produção dos sistemistas e das montadoras. Várias pequenas e médias empresas do setor estão endividadas, descapitalizadas e têm dificuldades para pagar os tributos, razão pela qual não conseguem obter financiamentos de bancos privados e públicos para investimentos e capital de giro.

Quanto ao setor fabricante de autopeças do Brasil, as empresas associadas ao SINDIPEÇAS estão localizadas em dez Estados. Como já citado, são 590 empresas, com faturamento da ordem de US$ 18,1 bilhões, gerando 162,2 mil empregos (ano de 2016), resultado de uma contração de 8,8% da produção física, no comparativo 2015/2016, e participação de 2,5% dos investimentos sobre o faturamento do setor.

MÁQUINAS AGRÍCOLAS E RODOVIÁRIAS

O setor de máquinas agrícolas e rodoviárias conta com grande número de fabricantes no Brasil. Esse importante setor congrega as indústrias dedicadas à fabricação de máquinas autopropulsadas concebidas para a execução de tarefas de construção civil, inclusive pavimentação de estradas e vias públicas.

Nesse segmento, os principais equipamentos são tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras de rodas, motoniveladoras, entre outros. Já o segmento agrícola abrange máquinas autopropulsadas necessárias para o preparo do solo, plantio e colheita, tais como tratores de rodas, colheitadeiras e pulverizadores.

Em 2016, segundo dados da ANFAVEA, foram fabricadas pouco mais de 54 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, o que significou uma queda de cerca de 3,4% em relação ao ano de 2015. Cabe ressaltar que o segmento de máquinas agrícolas automotrizes investiu cerca de US$ 655 milhões em 2012 e gera mais de 16 mil empregos diretos.

Por sua vez, os implementos rodoviários, diferentemente da indústria de máquinas autopropulsadas, possuem uma estrutura mais diversificada. Esse setor contém micro, pequenas, médias e grandes empresas, ligadas ao segmento de transporte de carga, fabricando reboques, semirreboques, carrocerias sobre chassis. Trata-se de um importante segmento industrial, que gera cerca de 35 mil empregos diretos e indiretos e é responsável pela fabricação de implementos que transportam cerca de 60% de toda a carga brasileira, tendo em vista que o principal modal de transportes brasileiro é o rodoviário.

O setor de implementos rodoviário fechou o ano de 2016 com queda no mercado interno. Foram 62 mil reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassis emplacados em 2016, o que corresponde a uma queda de 29,5% em relação a 2015, quando foram emplacados 88 mil implementos. Em 2016, o faturamento do setor foi na ordem de R$ 4,2 bilhões (2016), e sua capacidade de produção instalada é de aproximadamente 215 mil unidades por ano.

DUAS RODAS

Outro setor importante para a economia brasileira é o setor de Duas Rodas – motocicletas e bicicletas. Especialmente nas últimas décadas, a motocicleta passou a desempenhar importante papel para a economia nacional devido à criação de novos ofícios atrelados a este veículo, como “mototáxi” e “motofrete”, o que resultou em aumento da participação desses veículos na frota geral. A participação das motocicletas passou de 11,5%, em 1998, para cerca de 26,5% em 2014.

As bicicletas, por sua vez, também desempenham importante papel. Além de serem utilizadas com finalidade de lazer, são também um importante meio de transporte, devido à sua flexibilidade de circulação.

O Brasil é um grande produtor de motocicletas, atingindo a produção de mais de 2,1 milhões de motocicletas em 2011. Devido a dificuldades relacionadas à aprovação de financiamento para motocicletas, houve uma queda nas vendas nos anos posteriores. Em 2016, foram produzidas 887 mil motocicletas, 30% a menos do que em 2015, quando foram produzidas 1,26 milhões de unidades. Cabe ressaltar que a quase totalidade da produção de motocicletas é realizada no Polo Industrial de Manaus da Zona Franca de Manaus (ZFM).

O Polo de Duas Rodas é um dos mais importantes da ZFM e responde por cerca de 20% do faturamento do Polo Industrial de Manaus, atrás apenas da indústria de eletroeletrônicos, que responde por mais de 30%. O polo de motocicletas gera cerca de 13 mil postos diretos de trabalho e é uma importante referência quando se fala em adensamento da cadeia produtiva, pois atinge índices de até 90% de nacionalização da produção de alguns modelos de motocicletas.

A Zona Franca de Manaus foi criada em 1967 com o objetivo de se estimular o desenvolvimento daquela região. A ZFM é uma área de livre comércio de importação e de exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância a que se encontram os centros consumidores de seus produtos.

O setor de Duas Rodas passou a integrar a Zona Franca de Manaus na década de 1970, com a chegada da Honda, que abriu o segmento de motocicletas, e da Caloi, que já havia iniciado a produção de bicicletas. A Yamaha foi a segunda marca de motocicletas a se integrar ao polo, em 1985. A partir daí o crescimento foi contínuo e, em 2012, 12 fabricantes de motocicletas já estavam instalados no Polo Industrial de Manaus.

PNEUMÁTICOS:

O setor de pneumáticos brasileiro fechou o ano de 2016 com cerca de 68 milhões de unidades produzidas. De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – ANIP, a indústria produtora de pneus é responsável por cerca de 24,2 mil empregos diretos e por mais de 100 mil empregos indiretos. O principal canal de vendas da indústria brasileira de pneus é o mercado de reposição e a rede de revendedores, que chega a 63,4% da produção total do setor. As montadoras responderam por 18,2% do total em 2016, e as exportações representaram cerca de 18,5% da produção.

O setor atualmente conta com 20 fábricas de 12 diferentes fabricantes instaladas no País. Dessas fábricas, nove estão instaladas no Estado de São Paulo, duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul, três na Bahia, três no Paraná e uma no Amazonas.

Entre 2010 e 2014, balança comercial do setor foi deficitária, sendo que o déficit chegou a US$ 355,5 milhões em 2013. Esses sucessivos déficits contrastam com seus históricos superávits que, em 2007, foi de US$ 717,8 milhões. A partir de 2015, o saldo da balança comercial voltou a ser superavitário, chegando a US$ 431,2 milhões em 2016. Formar uma barreira à entrada de pneus asiáticos a preços predatórios e reverter os volumosos déficits do setor estão entre as principais agendas do setor. Para isso, os fabricantes de pneus têm utilizado um importante instrumente de defesa comercial: o antidumping.

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