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A importância do Setor Terciário

O setor terciário, conhecido por abranger as atividades de comércio bens e prestação de serviços, demonstra crescente relevância na economia brasileira, sendo que, nos últimos anos, a evolução do PIB foi influenciada significativamente pelo setor. Vale ressaltar que o desempenho do setor terciário e a variação do PIB aparecem fortemente relacionados. É possível afirmar que, mesmo com a recente desaceleração econômica, esse setor continuará sendo fundamental para a economia brasileira e também para a expansão das atividades empresariais.

De 2003 a 2016, a representatividade do setor terciário, passou de 65,8% para 73,3% do valor adicionado ao Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. O comércio contribuiu significativamente para este avanço, elevando-se de 9,5% para 12,8%, no valor adicionado do PIB nesse período, havendo atingido o pico em 2013, quando o setor alcançou uma participação de 13,5%. Já o setor de serviços (excluído o comércio) saltou de 53,3% em 2003 para 60,8% em 2016.

Gráfico 1

 

Estudos presentes no Atlas Nacional de Comércio e Serviços - 1ª Edição, publicado pela Secretaria de Comércio e Serviços (SCS) em conjunto com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), revelam a dinâmica corrente da economia brasileira com participação expressiva do setor terciário também na geração de emprego e da renda.

O comércio, por sua vez, acompanhou a conjuntura de expansão da demanda verificada nos últimos anos. A evolução mensal do índice de volume de vendas no varejo, com ajuste sazonal, medida pela Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, sinalizou significativa expansão entre os anos de 2000 e 2014, período de altas consecutivas. Entretanto, o cenário de desempenho inverteu-se desde então. Em 2015, o volume de vendas do varejo acompanhou a redução da atividade econômica e registrou queda de 4,3 pontos percentuais (em 2014, o crescimento tinha sido 2,2%). Já em 2016, a queda apontada foi de 6,2 pontos percentuais.

Gráfico 2

A queda do volume de vendas do comércio em 2016 é explicada em grande parte pela alta da taxa de desemprego, que atingiu 12% no trimestre encerrado em dezembro (PNAD Contínua/IBGE) [1].  Por sua vez, o IBGE informou que o “rendimento médio real habitual” no Brasil ficou R$ 2.064,00 no trimestre encerrando em dezembro de 2016 (out-nov-dez), praticamente estável em relação ao trimestre anterior.

Em dezembro de 2016, de acordo com o IBGE, o Brasil possuía uma população ocupada de 90,2 milhões de pessoas[2]. Contudo, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED/MTb), o estoque de empregos formais (com carteira assinada) situava-se em aproximadamente 38,3 milhões (-3,3% do que valor registrado em dezembro 2015).  Desse total, 67,1% das carteiras assinadas estavam vinculadas ao setor terciário (CAGED/MTb). Visto de outra perspectiva, o setor de serviços foi responsável por 43,6% do emprego formal e o comércio por 23,5% das carteiras assinadas.

Outra ferramenta importante que tem contribuído para melhor conhecimento do setor terciário é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada desde 2012 pelo IBGE. Com a pesquisa, foi revelada a heterogeneidade do setor de serviços no País, sua relevância e o peso das micro e pequenas empresas no segmento. 

A PMS/IBGE permitiu monitorar o crescimento significativo da receita nominal de serviços até o ano de 2012, bem como demonstrou a desaceleração do crescimento dos serviços desde então (também impactado pela redução da atividade econômica).  Em 2012, este indicador registrou crescimento de 10%; em 2013, 8,5%; em 2014, 6,0% ; em 2015, 1,3% e, por fim, no acumulado de 2016, teve crescimento negativo de 0,1% (considerando-se a comparação com o ano imediatamente anterior).  

No que concerne ao comércio exterior, os serviços tornaram-se centrais no novo paradigma do comércio internacional, sendo, por exemplo, pauta fundamental nas negociações internacionais em curso. Estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o comércio de serviços diretos (serviços finalísticos) e serviços indiretos (serviços insumos) representam entre 50% e 60% do valor total do comércio exterior nos países desenvolvidos. Em 2015, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), a corrente de comércio de serviços no mundo atingiu o patamar de US$ 9,36 trilhões. A participação do setor deverá continuar a crescer no comércio internacional, sendo premente que o Brasil atue de modo contundente para ampliar a competividade das empresas que atuam no setor, uma vez que o setor de serviços possui capacidade para prover agregação de valor ao setor industrial, agropecuário e mineral, sendo fundamental para ampliar a participação do país no comércio internacional de modo virtuoso, colhendo os benefícios de uma inserção qualificada na economia global.

 Ao analisarmos a evolução do comércio exterior de serviços brasileiro, observamos um decréscimo acumulado da corrente de comércio no quadriênio 2013-2016 de 20,7%. Observa-se que o déficit brasileiro na conta de serviços do Balanço de Pagamentos (BACEN, 2017) recrudesceu para o patamar de US$ 30,4 bilhões em 2016, nível sensivelmente inferior aos US$ 46,3 bilhões de déficit observados em 2013. As importações, no mesmo período, apresentaram redução de 24,5% enquanto as exportações encolheram 12,4%. Como consequência, em 2016, as importações de serviços ao totalizarem US$ 63,7 bilhões representaram 65,6% da corrente de comércio brasileira em serviços.

Importante destacar que, no período em tela, as importações de serviços sofreram uma queda mais acentuada do que as exportações. Esse fato é explicado por uma elevada correlação positiva entre as importações de serviços e o desempenho da atividade econômica interna (crescimento ou redução do Produto Interno Bruto-PIB). O país sofreu com uma forte recessão no período, fator este que explica a redução da escala de operação internacional do Brasil no comércio internacional de serviços.

Ao analisar o peso das exportações de serviços em relação ao perfil exportador de bens do país é notável o potencial de crescimento da inserção internacional do setor terciário brasileiro. Em 2016, as exportações de serviços alcançaram US$ 33,3 bilhões (BACEN, 2017). Tal montante representou apenas 18,0 % do total das exportações de bens para o mesmo ano. Os dados dos países da OCDE (contemplam as principais economias do mundo) indicam que as exportações em serviços correspondem, em média, a cerca de 32% das exportações em bens; conclui-se, portanto, que há bastante espaço para o crescimento das exportações de serviços no Brasil.           

Para explorar o potencial de crescimento das exportações brasileiras de serviços será fundamental o apoio e fomento à internacionalização das empresas brasileiras, em virtude da existência de forte correlação entre investimentos e exportações. Os fluxos de investimento estrangeiro direto são comumente acompanhados de exportações de bens e serviços dos países de origem do capital para o país recebedor deste investimento, o que induz a criação de um ciclo dinâmico de intercâmbio comercial que tende a aprofundar a integração econômica com o parceiro comercial recebedor do investimento estrangeiro.

Deste modo, a magnitude e importância do setor terciário incorporam de modo inexorável elementos de elevada complexidade para a formulação de políticas públicas de fomento ao setor.

Em virtude da relevância econômica crescente no Brasil e no mundo os serviços estão no centro do debate sobre competitividade e inovação. Os serviços são insumos cada vez mais determinantes para acelerar o crescimento de empresas, ao proporcionar que soluções mais sofisticadas sejam oferecidas no mercado. O setor irradia externalidades positivas no que tange ao aumento da produtividade do trabalho por meio dos melhoramentos sistêmicos na intermediação financeira, crescimento do acesso e uso das tecnologias da informação, aprimoramento das ferramentas de capacitação da força de trabalho, entre outros vetores que acarretam na ampliação da competitividade de modo transversal tendo efeito na economia como um todo.

O encadeamento produtivo dos serviços na economia exemplifica a importância fundamental do setor para a indústria e a agricultura. As empresas dos setores primário e secundário utilizam-se de serviços especializados para a produção e, portanto, dependem também da eficiência das empresas do setor terciário, que agregam valor às cadeias de produção, distribuição e vendas. Assim sendo, dispor de um setor de serviços moderno, competitivo, inovador e com potencial de internacionalização é fundamental para qualquer economia sustentar sua capacidade de geração de emprego e renda no século XXI.

*Texto atualizado em maio de 2017.


[2] PNAD Contínua 

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